Displasia da faceta articular vertebral caudal em cão tratado com acupuntura: relato de caso

Anomalias congênitas das facetas articulares são uma desordem que acredita-se ocorrer com frequência em cães mas com poucos casos descritos.

A localização de displasia do processo articular caudal mais comumente citada é na coluna torácica caudal, também localização de maior ocorrência de mielopatias.

Geralmente essas malformações geram instabilidade na coluna vertebral e pode ocorrer dor articular e a disfunção neurológica medular, devido a uma lesão compressiva.

O diagnóstico pode ser por radiografia simples, porém exames de imagem avançada como tomografia ou ressonância magnética são mais indicados.

O tratamento indicado é estabilização cirúrgica, porém em casos apenas de dor pode-se indicar tratamento conservativo com administração de anti- inflamatórios e opioides.

Nenhum estudo científico cita a acupuntura como alternativa de tratamento para essa afecção. A acupuntura é uma modalidade médica milenar baseada na medicina tradicional chinesa, que compreende a inserção de agulhas em pontos cutâneos específicos e que apresenta diversos estudos científicos e meta-análises para uso no controle da dor e tratamento de neuropatias.

Este trabalho teve por objetivo relatar um caso de displasia da faceta articular vertebral caudal em um cão tratado com acupuntura.

Paciente canino da raça maltês com 1 ano e 3 meses foi encaminhado para acupuntura com suspeita de espinha bífida. Veterinário clínico preescreveu amantadina e tramadol, porém animal apresentou sensibilidade aos medicamentos e êmese constante.

Ao exame clínico, percebeu-se que o animal por diversas vezes tornava a cabeça em direção a cauda ao caminhar e permanecia em postura cifótica constante (Figura 1). Nenhuma ataxia foi visualizada ao observar animal caminhando. À palpação, paciente apresentou leve desconforto abdominal, dor à palpação vertebral em L3 e em coxofemoral direita. Exame neurológico sem alterações. Em exame radiográfico foi possível identificar dispasia da faceta articular vertebral caudal de L4 (Figura 2). A partir do diagnóstico foi receitado gabapentina e sessões de acupuntura semanalmente, porém animal também apresentou sensibilidade a gabapentina. Principais pontos de acupuntura utilizados foram VG16, B11, B18, B23, VG4, B24, VB30, B60, R3, F3. O uso de eletroacupuntura também foi feito entre os pontos B23 e B24 50Hz – 100Hz por 20 minutos para tratamento da dor.

Para presente caso apresentado, a acupuntura, juntamente com a eletroacupuntura, mostraram resultados positivos, diminuindo a dor do animal e melhorando qualidade de vida, mesmo quando associado com medicamentos, pois houve redução do uso desses.

Figura 1 – Paciente em postura cifótica
Figura 2 – Radiografia lombar do paciente. Seta aponta para displasia da faceta articular vertebral caudal de L4

Jessica C. da Nóbrega1; Maria Luísa B. de Cápua2

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